23 de abril de 2009

Alimentação e Diabetes

A adesão a um programa alimentar mais equilibrado e saudável é fundamental no tratamento de todos os indivíduos com diabetes.

Para além de proporcionar todos os nutrientes de forma equilibrada e ajustada às necessidades do organismo, os cuidados alimentares vão contribuir para o melhor controlo dos níveis da glucose no sangue (glicemia), para o controlo dos níveis de gordura e colesterol no sangue e da tensão arterial.
O bom controlo destes parâmetros contribui também para diminuir o risco das complicações da diabetes, como por exemplo a doença cardiovascular.

Ao indivíduo com diabetes são propostas regras alimentares saudáveis, que não diferem de um modo geral, das que são propostas a qualquer pessoa que queira defender a saúde.

Tal como para qualquer outro indivíduo, na alimentação do diabético a grande maioria da energia deve ser proveniente dos Hidratos de Carbono que devem contribuir com 50 a 55% das necessidades totais, enquanto as Gorduras devem contribuir com 25 a 30% da energia total. O restante, cerca de 15%, corresponde à contribuição proteica.

Ter em atenção:
HIDRATOS DE CARBONO
Para um melhor controlo dos níveis de glicemia é fundamental ingeri-los em pequenas porções de cada vez, distribuídos pelas 5 ou 6 refeições por dia.
A maioria deve ser proveniente dos amidos e não dos açúcares (glucose, sacarose, frutose).
Dos amidos devem preferir-se os de absorção mais lenta, por provocarem uma elevação mais lenta dos níveis de glicemia. São por isso recomendáveis as massas alimentícias (esparguete, etc.) e as leguminosas como o feijão, grão, ervilhas, favas e lentilhas.
Outros amidos provocam uma elevação mais rápida da glicemia do que os anteriores, pelo que se aconselha maior moderação: batatas, arroz branco e pão branco (este último deve ser evitado).
A adição de fibras aos hidratos de carbono, principalmente a estes últimos, contribui, entre outras vantagens, para evitar a elevação mais rápida da glicemia, pelo que é indispensável a presença de saladas/hortaliça como entrada ou durante as refeições do almoço e jantar. Os cereais com fibras também devem preferir-se aos refinados. Neste contexto, o pão preferível é o de mistura ou integral.
Outras fontes de hidratos de carbono, como o leite ou iogurtes e a fruta devem também fazer parte da alimentação diária.

PRODUTOS VEGETAIS
São no geral importantes fornecedores de vitaminas, de sais minerais e de fibra útil no bom controlo dos níveis de glicose e colesterol no sangue.
A fruta é indispensável na alimentação diária e deve ser consumida preferencialmente crua.
Dentro dos vegetais (igualmente indispensáveis na alimentação diária) devem preferir-se os mais vermelhos, amarelos e verde-escuros, pela riqueza em vitaminas e outras substâncias anti-oxidantes e anti-tumorais. São também uma importante fonte de fibras e sais minerais, mas pobres em hidratos de carbono e calorias.
Duas ou três tigelas de sopa de hortaliças variadas, nabos, courgettes, tomate, cenouras, feijão verde, cebolas, alhos, etc, temperadas com azeite (deve ser a gordura de eleição) são altamente recomendáveis em cada dia de qualquer pessoa.

ÁGUA
A hidratação é básica para a sobrevivência de qualquer ser vivo e deve ser sempre a primeira escolha de bebida. A água contida nos alimentos não chega para obtermos toda a água de que necessitamos pelo que, para completar as necessidades, se aconselha a ingestão de pelo menos um litro e meio de água por dia.
Outras bebidas como os refrigerantes, que contém açúcar e outros aditivos para além da água, são desaconselham-se por provocarem um aumento muito rápido da glicémia.
Como alternativa de bebida, existem os sumos de fruta light, porque nestes o açúcar é substituído por adoçantes artificiais que não têm interferência nos níveis de glicemia. O chá de tília, camomila, ou outros podem ser uma alternativa à água simples.

SAL
Aconselha-se um consumo mais moderado de sal (que é quase sempre excessivo!) para prevenir a hipertensão arterial, considerada um factor de risco importante para algumas complicações da diabetes. Ao temperar, o sal pode ser substituído por sumo de limão, alho, salsa, coentros, tomate, pimento, cebola, louro, etc.

Recomenda-se, portanto, uma confecção simples, variada e com pouca gordura. Devem preferir-se os cozidos, grelhados, estufados e assados sem molhos “gordos”, e evitar-se os fritos e guisados.

Contrariar o sedentarismo e completar a alimentação equilibrada com alguma actividade física, ligeira ou moderada (como andar a pé) durante 20 ou 30 minutos por dia, dará um enorme contributo para o melhor controlo da diabetes e dos factores de risco da doença cardiovascular.
Para finalizar é importante relembrar que o tabaco constitui sempre um factor de risco adicional e que deve, portanto, ser evitado.

Nota: para a elaboração deste artigo foram retiradas informações da brochura “Alimentação & Diabetes tipo 2” da Sanofi Aventis/ A.P.D.P.

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